As incertezas na Segurança
Governo busca um nome para a Pasta da Segurança Pública do Ceará. Enquanto isso, a criminalidade só avança
Faltando apenas um mês para a virada do Ano-Novo e o início de mais uma gestão do governador reeleito Cid Gomes, as perspectivas do que irá mudar no caótico e sangrento quadro da Segurança Pública vêm gerando um clima de expectativa e incertezas nas corporações que integram o sistema; Polícia Civil, PM e Corpo de Bombeiros.
Para a população, o desafio do governo será reverter a onda da criminalidade que se abateu sobre os cidadãos, pois 2010 terminará com índices recordes de homicídios, as execuções sumárias ou ´extrajudiciais´.
Somente na Grande Fortaleza (Capital e sua região metropolitana) já foram registrados, neste ano, 1.648 homicídios (de zero hora o dia 1º de janeiro até às 22 horas de ontem), contra 1.417 em 2009.
A implantação do policiamento comunitário Ronda do Quarteirão, a inauguração de novas delegacias, a chegada de mais efetivo para a PM, e a compra de carros luxuosos para o patrulhamento das cidades (cada um deles ao preço de R$ 150 mil) apresentaram-se insuficientes para aplacar, em quatro anos, a violência e a criminalidade que avançam no Estado do Ceará.
Para completar o quadro negro da (in)Segurança Pública cearense, o atual titular da Pasta, delegado federal aposentado Roberto Monteiro, vai deixar o cargo (ele próprio já reafirmou que não ficará mais no posto) amargando a antipatia dos policiais, da Imprensa e da opinião pública e com vários processos a responder.
Em sua gestão, Monteiro protagonizou graves embates com as polícias Civil e Militar, chegando ao ponto de dizer que, "a Polícia do Ceará não sabe investigar" e que "não confiava em nenhum delegado".
O mais delicado dos episódios ocorreu quando a Polícia Federal, durante a ´Operação Arca de Noé´(no combate ao jogo do bicho), invadiu a sede da Polícia Civil e fez uma devassa no gabinete no ´número dois´ na hierarquia da instituição, o delegado Francisco Carlos de Araújo Crisóstomo, que acabou preso.
Quem?
Contudo, outras medidas polêmicas contribuíram para gerar na população maior sentimento de impunidade e descrença na Segurança. Aconteceu quando, sob o pretexto de cumprir a Lei, Monteiro proibiu a Polícia de mostrar a cara de marginais presos, mesmo aqueles de reconhecida periculosidade e de insistente reincidência.
A repercussão negativa foi mais além, quando o gestor afastou do cargo vários delegados que, involuntariamente ou não, deixaram que a Imprensa exibisse a imagem dos criminosos. Do secretário também veio a ordem para que as viaturas do Ronda não fizessem mais perseguição a marginais.
Nos bastidores do governo a dúvida surge agora em saber quem irá dirigir a Pasta. Mais um delegado federal ou outro general de ´pijama´? Cid Gomes já avisou que vai nomear um gestor que "acorde cedo e vá dormir tarde". Suas palavras deram o indicativo de que pretende colocar no cargo alguém que atue com competência no âmbito administrativo, mas não esqueça do lado ´operacional´, isto é, do efetivo combate ao crime.
Ao sucessor de Monteiro restará uma herança nada agradável; uma Polícia desmotivada e altos índices de violência no Estado do Ceará.
InteriorNos últimos meses, as cidades do Interior cearense tornaram-se palco de violentas e ousadas ações praticadas por grupos criminosos especializados em assaltos contra bancos e arrombamentos de caixas eletrônicos e cofres fortes.
Os assaltos a bancos tiveram uma alta de 62,5 por cento em 2010, em relação ao ano anterior. De 16 ocorrências em 2009, subiu para 26 neste ano. Também cresceram os ataques a agências dos Correios e roubos de veículos e de cargas.
Em abril último, a tropa da Polícia Militar deu uma demonstração clara de que está mobilizada em torno da defesa de seus interesses. Pela primeira vez, desde a ´famosa´ greve dos policiais em junho de 2005 - quando até o comandante-geral da PM da época, coronel Mauro Benevides, foi baleado pelos grevistas - policiais militares ´antigos´ e ´modernos´ cruzaram os braços, em abril passado,para protestar contra as rígidas escalas de serviço às quais estavam submetidos, além de mostrarem a insatisfação com seus salários.
Em resposta, Cid Gomes deu carta branca ao secretário da Segurança para este trocar o Comando do Ronda do Quarteirão e determinar que os policiais que se destacaram no ´movimento´ fossem punidos com transferência para o Interior.
Cid Gomes também já manifestou-se oficialmente contra o Projeto de Emenda Constitucional de número 300, a PEC-300, que tem o objetivo de nivelar os salários dos PMs de todo o País com o atual soldo dos PMs do Distrito Federal. O futuro cenário da Segurança é nebuloso.
BAIXA ESTIMA
Classe policial enfrenta desânimo
Servidores reclamam dos baixos salários e de uma política de pessoal que possibilite regular ascensão funcionalInvestir no homem. Esta é a opinião geral dos especialistas em Segurança Pública, operadores do Direito e líderes das categorias policiais ouvidos pela Reportagem acerca do que deve ser mudado no aparelho da Segurança Pública no decorrer da segunda gestão de Cid Gomes como governador do Estado do Ceará.
Mas, ao contrário do esperado, o governador já sinalizou ser contrário a uma das principais bandeiras de luta da classe policial cearense, como de resto, de todo o País. Cid já posicionou-se contra a aprovação do Projeto de Emenda Constitucional de número 300, a PEC 300, que poderia elevar substancialmente o salário dos policiais, já que o dispositivo nivelaria o soldo de todas as PMs brasileiras com a tabela de salários dos colegas do Distrito Federal.
Obras atrasadas
Também no campo da Segurança Pública, a sociedade ainda espera a conclusão de duas importantes obras que estão atrasadas em mais de um ano. Uma delas, é a nova Academia da Segurança Pública, que irá reunir numa só unidade os efetivos das polícias Civil, Militar, Corpo de Bombeiros e peritos criminais. A segunda obra atrasada é a sede da Perícia Forense do Estado do Ceará, a Pefoce, situada na Avenida Leste-Oeste, onde ficarão concentradas as coordenadorias de Criminalística (CC) e de Medicina Legal (Comel).
O presidente do Sindicato dos Delegados, Milton Castelo Filho, ressalta que a Polícia Civil cearense passa por um momento de grandes dificuldades, por conta de seu baixíssimo efetivo. A falta de pessoal tem acarretado uma série de transtornos na categoria, chegando ao ponto de delegados destacados no Interior terem que vir, nos fins de semana e feriados, à Capital para tirar expediente extra nas delegacias de plantão de Fortaleza e na região metropolitana.
AMPLIAR
Mudanças previstas para tornar a PM mais atuante
Reformulação no âmbito operacional da Polícia Militar está sendo aguardada na segunda gestão do governador Cid Gomes. Algumas mudanças estão previstas dentro de um ´pacote´ de propostas (projeto de lei) que foi encaminhado à Assembleia Legislativa e ainda não foi aprovado. Entre eles, a implantação de um batalhão que terá a missão de patrulhar a divisa do Ceará com os estados do Piauí, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Também deverá ser ampliado o efetivo e o quantitativo de motos do grupo Ronda de Ação Intensiva e Ostensiva (Raio), apontado como um dos mais eficientes modelos de patrulhamento e combate aos delitos de roubos, tráfico de drogas e sequestros-relâmpago.
No ar
Outro ponto de destaque dentro de projetos que estão elaborados por oficiais da PM é o redimensionamento da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), que teria instaladas bases regionais no Interior, com novas aeronaves para o combate ao crime e operações de salvamento.
O QUE ELES PENSAM
O que deve ser mudado na gestão dos organismos policiais?
A principal mudança seria na política de valorização do homem. Hoje, os policiais estão desmotivados, com baixa estima, não apenas na questão salarial. Delegados, inspetores e escrivães estão trabalhando desestimulados. É necessário rever esta situação. É preciso mudar na qualidade e na quantidade. A Polícia Civil está sem efetivo.
Milton Castelo FilhoPres. Sind. dos Delegados
A política de Segurança Pública precisa mudar e ser pensada a partir das pessoas, a partir da valorização dos servidores. Infelizmente, nos últimos quatro anos a política do governo para este setor deixou muito a desejar. E a crescente violência reflete-se no Sistema Penal, onde todas as unidades penitenciárias estão superlotadas.
Augusto CoutinhoPres. Cons. Penitenciário
Creio ser necessário centrar esforços na união da Polícia Militar, acabando com a segregação de nomes ou estilos, valorizando o ser humano com melhores salários e renovadas capacitações. A Política da "boa vizinhança" (Ronda do Quarteirão) tem chegado após o delito cometido, perdendo o seu caráter pacificador.Valdetário MonteiroPres. da OAB/Ceará
É forçoso reconhecer o empenho do governador Cid Gomes em investir em alguns setores da Segurança, como em viaturas, armas e na reestruturação da Perícia Forense. Mas é inegável e inadiável uma concentração de investimentos pesados no homem, no policial, com melhores salários, formação e requalificação profissional.
Leandro VasquesPres. da Caace-OAB/CE
FERNANDO RIBEIROEDITOR DE POLÍCIA
Faltando apenas um mês para a virada do Ano-Novo e o início de mais uma gestão do governador reeleito Cid Gomes, as perspectivas do que irá mudar no caótico e sangrento quadro da Segurança Pública vêm gerando um clima de expectativa e incertezas nas corporações que integram o sistema; Polícia Civil, PM e Corpo de Bombeiros.
Para a população, o desafio do governo será reverter a onda da criminalidade que se abateu sobre os cidadãos, pois 2010 terminará com índices recordes de homicídios, as execuções sumárias ou ´extrajudiciais´.
Somente na Grande Fortaleza (Capital e sua região metropolitana) já foram registrados, neste ano, 1.648 homicídios (de zero hora o dia 1º de janeiro até às 22 horas de ontem), contra 1.417 em 2009.
A implantação do policiamento comunitário Ronda do Quarteirão, a inauguração de novas delegacias, a chegada de mais efetivo para a PM, e a compra de carros luxuosos para o patrulhamento das cidades (cada um deles ao preço de R$ 150 mil) apresentaram-se insuficientes para aplacar, em quatro anos, a violência e a criminalidade que avançam no Estado do Ceará.
Para completar o quadro negro da (in)Segurança Pública cearense, o atual titular da Pasta, delegado federal aposentado Roberto Monteiro, vai deixar o cargo (ele próprio já reafirmou que não ficará mais no posto) amargando a antipatia dos policiais, da Imprensa e da opinião pública e com vários processos a responder.
Em sua gestão, Monteiro protagonizou graves embates com as polícias Civil e Militar, chegando ao ponto de dizer que, "a Polícia do Ceará não sabe investigar" e que "não confiava em nenhum delegado".
O mais delicado dos episódios ocorreu quando a Polícia Federal, durante a ´Operação Arca de Noé´(no combate ao jogo do bicho), invadiu a sede da Polícia Civil e fez uma devassa no gabinete no ´número dois´ na hierarquia da instituição, o delegado Francisco Carlos de Araújo Crisóstomo, que acabou preso.
Quem?
Contudo, outras medidas polêmicas contribuíram para gerar na população maior sentimento de impunidade e descrença na Segurança. Aconteceu quando, sob o pretexto de cumprir a Lei, Monteiro proibiu a Polícia de mostrar a cara de marginais presos, mesmo aqueles de reconhecida periculosidade e de insistente reincidência.
A repercussão negativa foi mais além, quando o gestor afastou do cargo vários delegados que, involuntariamente ou não, deixaram que a Imprensa exibisse a imagem dos criminosos. Do secretário também veio a ordem para que as viaturas do Ronda não fizessem mais perseguição a marginais.
Nos bastidores do governo a dúvida surge agora em saber quem irá dirigir a Pasta. Mais um delegado federal ou outro general de ´pijama´? Cid Gomes já avisou que vai nomear um gestor que "acorde cedo e vá dormir tarde". Suas palavras deram o indicativo de que pretende colocar no cargo alguém que atue com competência no âmbito administrativo, mas não esqueça do lado ´operacional´, isto é, do efetivo combate ao crime.
Ao sucessor de Monteiro restará uma herança nada agradável; uma Polícia desmotivada e altos índices de violência no Estado do Ceará.
InteriorNos últimos meses, as cidades do Interior cearense tornaram-se palco de violentas e ousadas ações praticadas por grupos criminosos especializados em assaltos contra bancos e arrombamentos de caixas eletrônicos e cofres fortes.
Os assaltos a bancos tiveram uma alta de 62,5 por cento em 2010, em relação ao ano anterior. De 16 ocorrências em 2009, subiu para 26 neste ano. Também cresceram os ataques a agências dos Correios e roubos de veículos e de cargas.
Em abril último, a tropa da Polícia Militar deu uma demonstração clara de que está mobilizada em torno da defesa de seus interesses. Pela primeira vez, desde a ´famosa´ greve dos policiais em junho de 2005 - quando até o comandante-geral da PM da época, coronel Mauro Benevides, foi baleado pelos grevistas - policiais militares ´antigos´ e ´modernos´ cruzaram os braços, em abril passado,para protestar contra as rígidas escalas de serviço às quais estavam submetidos, além de mostrarem a insatisfação com seus salários.
Em resposta, Cid Gomes deu carta branca ao secretário da Segurança para este trocar o Comando do Ronda do Quarteirão e determinar que os policiais que se destacaram no ´movimento´ fossem punidos com transferência para o Interior.
Cid Gomes também já manifestou-se oficialmente contra o Projeto de Emenda Constitucional de número 300, a PEC-300, que tem o objetivo de nivelar os salários dos PMs de todo o País com o atual soldo dos PMs do Distrito Federal. O futuro cenário da Segurança é nebuloso.
BAIXA ESTIMA
Classe policial enfrenta desânimo
Servidores reclamam dos baixos salários e de uma política de pessoal que possibilite regular ascensão funcionalInvestir no homem. Esta é a opinião geral dos especialistas em Segurança Pública, operadores do Direito e líderes das categorias policiais ouvidos pela Reportagem acerca do que deve ser mudado no aparelho da Segurança Pública no decorrer da segunda gestão de Cid Gomes como governador do Estado do Ceará.
Mas, ao contrário do esperado, o governador já sinalizou ser contrário a uma das principais bandeiras de luta da classe policial cearense, como de resto, de todo o País. Cid já posicionou-se contra a aprovação do Projeto de Emenda Constitucional de número 300, a PEC 300, que poderia elevar substancialmente o salário dos policiais, já que o dispositivo nivelaria o soldo de todas as PMs brasileiras com a tabela de salários dos colegas do Distrito Federal.
Obras atrasadas
Também no campo da Segurança Pública, a sociedade ainda espera a conclusão de duas importantes obras que estão atrasadas em mais de um ano. Uma delas, é a nova Academia da Segurança Pública, que irá reunir numa só unidade os efetivos das polícias Civil, Militar, Corpo de Bombeiros e peritos criminais. A segunda obra atrasada é a sede da Perícia Forense do Estado do Ceará, a Pefoce, situada na Avenida Leste-Oeste, onde ficarão concentradas as coordenadorias de Criminalística (CC) e de Medicina Legal (Comel).
O presidente do Sindicato dos Delegados, Milton Castelo Filho, ressalta que a Polícia Civil cearense passa por um momento de grandes dificuldades, por conta de seu baixíssimo efetivo. A falta de pessoal tem acarretado uma série de transtornos na categoria, chegando ao ponto de delegados destacados no Interior terem que vir, nos fins de semana e feriados, à Capital para tirar expediente extra nas delegacias de plantão de Fortaleza e na região metropolitana.
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Mudanças previstas para tornar a PM mais atuante
Reformulação no âmbito operacional da Polícia Militar está sendo aguardada na segunda gestão do governador Cid Gomes. Algumas mudanças estão previstas dentro de um ´pacote´ de propostas (projeto de lei) que foi encaminhado à Assembleia Legislativa e ainda não foi aprovado. Entre eles, a implantação de um batalhão que terá a missão de patrulhar a divisa do Ceará com os estados do Piauí, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Também deverá ser ampliado o efetivo e o quantitativo de motos do grupo Ronda de Ação Intensiva e Ostensiva (Raio), apontado como um dos mais eficientes modelos de patrulhamento e combate aos delitos de roubos, tráfico de drogas e sequestros-relâmpago.
No ar
Outro ponto de destaque dentro de projetos que estão elaborados por oficiais da PM é o redimensionamento da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), que teria instaladas bases regionais no Interior, com novas aeronaves para o combate ao crime e operações de salvamento.
O QUE ELES PENSAM
O que deve ser mudado na gestão dos organismos policiais?
A principal mudança seria na política de valorização do homem. Hoje, os policiais estão desmotivados, com baixa estima, não apenas na questão salarial. Delegados, inspetores e escrivães estão trabalhando desestimulados. É necessário rever esta situação. É preciso mudar na qualidade e na quantidade. A Polícia Civil está sem efetivo.
Milton Castelo FilhoPres. Sind. dos Delegados
A política de Segurança Pública precisa mudar e ser pensada a partir das pessoas, a partir da valorização dos servidores. Infelizmente, nos últimos quatro anos a política do governo para este setor deixou muito a desejar. E a crescente violência reflete-se no Sistema Penal, onde todas as unidades penitenciárias estão superlotadas.
Augusto CoutinhoPres. Cons. Penitenciário
Creio ser necessário centrar esforços na união da Polícia Militar, acabando com a segregação de nomes ou estilos, valorizando o ser humano com melhores salários e renovadas capacitações. A Política da "boa vizinhança" (Ronda do Quarteirão) tem chegado após o delito cometido, perdendo o seu caráter pacificador.Valdetário MonteiroPres. da OAB/Ceará
É forçoso reconhecer o empenho do governador Cid Gomes em investir em alguns setores da Segurança, como em viaturas, armas e na reestruturação da Perícia Forense. Mas é inegável e inadiável uma concentração de investimentos pesados no homem, no policial, com melhores salários, formação e requalificação profissional.
Leandro VasquesPres. da Caace-OAB/CE
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