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Defensoria monta força-tarefa para libertar carioca
Em resposta à mobilização, o novo titular da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Delci Teixeira, convocou uma coletiva, na tarde de ontem. Na ocasião, a delegada responsável pelo caso, Patrícia Bezerra, reafirmou a posição de Mirian como suspeita por motivos já revelados anteriormente, de que a farmacêutica teria apresentado versões contraditórias sobre o dia do crime, em diferentes depoimentos. Versões consideradas “mentirosas”, que teriam sido contestas por outras testemunhas.
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As contradições passariam por horário de acontecimentos, além de outros fatos que foram “mantidos em sigilo para não prejudicar as investigações”. Entretanto, para o defensor Émerson Castelo Branco, isso não seria suficiente para o pedido de prisão, ainda que temporária. “Essa prisão não tem base ou fundamento. Em nenhum momento a Mirian se negou a dar depoimento ou participar de acareações. Ela não criou obstáculos para as investigações. Não existem provas contra essa moça. Esperamos, sinceramente, que ela seja colocada em liberdade ainda esta semana”.
Já a delegada Patrícia destacou que a Defensoria Pública se posicionou sobre o caso sem conhecer os autos. “Eles não tiveram acesso ao inquérito e, portanto, não podem analisar a legalidade da prisão. Os autos foram solicitados somente na manhã de hoje (ontem), por telefone, e serão disponibilizados. Antes, eles só tiveram acesso à solicitação da prisão temporária e à decisão da Justiça”, justificou.
Crime sexual
Dentre os laudos cadavéricos solicitados pela Polícia, apenas o exame que aponta a causa da morte e o Teste de PSA (Antígeno Prostático Específico) ficaram prontos. Esse último aponta, ainda que preliminarmente, que Gaia não teria sido vítima de crime sexual, já que não foram encontrados sinais de violência sexual na vítima.
Porém, somente após a conclusão dos exames de DNA, que devem ficar prontos em dez dias, será possível descartar essa hipótese. O exame toxicológico, que revelará se a vítima ingeriu alguma substância ilícita, também não está pronto. “Preliminarmente, podemos dizer que não houve violência sexual por parte de um homem. Mas precisamos do laudo de DNA para comprovar isso em definitivo”, disse a delegada.
| Gaia Molinari foi encontrada morta no dia 25 de dezembro no Ceará |
Saiba mais
Dentre as entidades que apontam a carioca Mirian França como vítima de discriminação racial está a organização não governamental “SOS Racismo Brasil”.
A medida cautelar que resultou na prisão de Mirian foi concedida por um juiz plantonista da Comarca de Sobral, no dia 28 de dezembro. A prisão temporária tem validade de 30 dias, prorrogáveis por mais 30, por se tratar de crime hediondo.
Segundo o consulado da Itália no Brasil, nenhum familiar de Gaia Molinari virá ao Brasil. O corpo da jovem foi embalsamado e será levado para a Europa somente após a conclusão das investigações.
Além do secretário Delci Teixeira e da delegada Patrícia Bezerra, participaram da coletiva o delegado-geral da Polícia Civil, Andrade Júnior, e o perito perito-geral do Estado, Maximiano Leite Barbosa.
Gaia foi vista pela última vez na noite do dia 24, às 18h30min, na pousada onde estava hospedada.
A Defensoria Pública do Ceará vai realizar hoje, às 8h30min, uma coletiva de imprensa em sua sede (avenida Pinto Bandeira, 1111 - bairro Luciano Cavalcante) para dar mais detalhes a respeito do atendimento jurídico que vem sendo prestado desde o dia 29 de dezembro à farmacêutica.
Para entender
25/12. A italiana Gaia Barbara Molinari, 29, foi encontrada morta na localidade de Serrote, em Jijoca de Jericoacoara.
26/12. O laudo da necrópsia apontou que Gaia foi morta por asfixia mediante estrangulamento. A farmacêutica Mirian França presta depoimento na Delegacia de Proteção ao Turista (Deprotur). Ela informou que as duas ficaram amigas em uma pousada de Fortaleza e viajaram juntas para Jericoacoara no dia 21. Ambas deveriam retornar para a Capital na véspera de Natal. Porém, apenas a turista carioca embarcou no ônibus da volta.
29/12. Mirian foi presa temporariamente porque teria apresentado versões contraditórias em novo depoimento. A Polícia Civil informou que pelo menos duas pessoas haviam participado do homicídio. Mirian França foi encontrada pela Polícia na praia de Canoa Quebrada, no Litoral Leste, para onde viajou após prestar o depoimento do dia
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