Adolescente de 15 anos que queria ser médica morre após apanhar dos pais
Essa trajetória foi interrompida na madrugada desta quarta-feira,
quando ela morreu, vítima de um edema pulmonar, no Hospital Estadual, em
Bauru. A estudante apanhou, na noite de terça-feira (23), do pai, José
Carlos de Lima, 42 anos, e da mãe, de 38 anos. O motivo: ela estava
namorando escondida na praça de Cafelândia, onde morava com seus pais.
O pai foi preso em flagrante por lesão corporal dolosa seguida de
morte. Ficou por algumas horas na cadeia de Promissão, mas foi solto por
volta das 20h.
Segundo informações do delegado de Cafelândia, Adilson Carlos Vincentini Batanero, a mãe denunciou o marido, dizendo que ele havia chutado a cabeça da filha, quando discutia com ela sobre o namoro às escondidas, por volta das 20h de terça. Quando passava da meia noite, Larissa passou mal. Vomitava no banheiro. Pai e mãe a levaram para a Santa Casa de Cafelândia. A vítima já estava desacordada.
Em seguida, como seu estado de saúde não evoluia, foi transferida para o Hospital Estadual de Bauru, onde morreu. Uma amiga próxima, de 14 anos, lamentava a morte. “Ela era alegre, feliz. Queria ser médica”, afirma. Queria.
Segundo informações do delegado de Cafelândia, Adilson Carlos Vincentini Batanero, a mãe denunciou o marido, dizendo que ele havia chutado a cabeça da filha, quando discutia com ela sobre o namoro às escondidas, por volta das 20h de terça. Quando passava da meia noite, Larissa passou mal. Vomitava no banheiro. Pai e mãe a levaram para a Santa Casa de Cafelândia. A vítima já estava desacordada.
Em seguida, como seu estado de saúde não evoluia, foi transferida para o Hospital Estadual de Bauru, onde morreu. Uma amiga próxima, de 14 anos, lamentava a morte. “Ela era alegre, feliz. Queria ser médica”, afirma. Queria.
Cronologia
23 de novembro, 18h30
A mãe de Larissa a encontra em uma praça de Cafelândia com um namorado e a leva para casa. A mãe bate na filha com uma cinta.
A mãe de Larissa a encontra em uma praça de Cafelândia com um namorado e a leva para casa. A mãe bate na filha com uma cinta.
23 de novembro, 20h
José Carlos chega em casa e discute com a filha. Ele também bate na Larissa.
José Carlos chega em casa e discute com a filha. Ele também bate na Larissa.
24 de novembro, 0h
Larissa é encontrada no banheiro vomitando. Em seguida, é encaminhada para a Santa Casa de Cafelândia, já desacordada.
24 de novembro, 6h
A adolescente morre já em Bauru, vítima de um edema pulmonar.
Larissa é encontrada no banheiro vomitando. Em seguida, é encaminhada para a Santa Casa de Cafelândia, já desacordada.
24 de novembro, 6h
A adolescente morre já em Bauru, vítima de um edema pulmonar.
24 de novembro, 18h30
A vítima é enterrada sob forte emoção. Pouco mais de uma hora depois, a Justiça manda soltar o pai, que responderá processo em liberdade.
Fonte: Polícia Civil
A vítima é enterrada sob forte emoção. Pouco mais de uma hora depois, a Justiça manda soltar o pai, que responderá processo em liberdade.
Fonte: Polícia Civil
Relação complicada com o pai
Com pouco mais de 16 mil habitantes, Cafelândia foi surpreendida com a notícia da morte da jovem Larissa Rafaela Kondo de Lima. Colegas de escola, parentes e amigos próximos da família estavam no velório da adolescente, que foi enterrada às 18h30 desta quarta.
Uma jovem de 15 anos, que pediu para não ser identificada, não acreditava no que aconteceu. Amiga de Larissa há nove anos, ela relata que a família da vítima era muito severa.
“Ele [o pai] não deixava a Larissa conversar com garotos. Não deixava nem ela sair de casa”, afirma.
A amiga próxima lembra ainda da alegria da garota, que sonhava em ser
médica. “Ela era alegre e só queria que o pai dela aceitasse os
namoros”, lamenta, em frente ao velório, cercada de outros colegas
inconformados com a morte.
Também no velório de Larissa estava o jovem M., de 14 anos. Ele foi o
primeiro namorado de Larissa. Eles ficaram juntos por cerca de dois
meses.
Terminaram o curto relacionamento há menos de duas semanas. “Ela me
falava que o pai não aceitava namoros e batia. Eu sempre perguntava e
pedia para ir lá para ver se ele aceitava, mas a Larissa não deixava”,
afirma o ex-namorado, que lembra as palavras exatas de Larissa: “Se você
for lá ele te mata e me mata também.”
O namoradinho de Larissa, com o qual ela estava na praça de
Cafelândia na terça, teve curto relacionamento com ela, segundo amigos.
Os dois ficaram juntos por poucos dias. Ele não foi ao velório.
Boa alunaA diretora do Centro Paula Souza de
Cafelândia, Marli Parra Asato, afirmou que Larissa era boa aluna. “Ela
tinha boas notas, era sempre alegre. Uma adolescente comum”, avalia.
A professora de língua inglesa, Vanda Lúcia Pereira, tem a mesma
opinião. E lamenta o ocorrido. “Está todo mundo passado, todo mundo está
triste”, afirma.
E essa tristeza poderá se transformar em homenagem dos colegas de classe.
Eles estão preparando uma manifestação para lembrar a adolescente. Além disso, as aulas na classe de Larissa estão suspensas nesta quinta (25), como forma de homenagear a ex-aluna.
Eles estão preparando uma manifestação para lembrar a adolescente. Além disso, as aulas na classe de Larissa estão suspensas nesta quinta (25), como forma de homenagear a ex-aluna.
Bons vizinhosO BOM DIA foi até a casa da
família, onde aconteceu a tragédia. A residência fica em um lugar
simples, em bairro com pessoas de baixo poder aquisitivo. O local estava
fechado, com o portão trancado por um cadeado. O vizinho Mauro Gallo,
aposentado de 62 anos, disse que José Carlos e sua família são bons
vizinhos.
“Eles moram aqui faz tempo. Sempre foram bons. Nunca vi nada contra eles, mas fiquei chocado”, comenta.
Sem palavras
Parentes de Larissa e dos pais não quiseram conversar com o BOM DIA. Todos estavam muito abalados com a tragédia e chegaram a ficar irritados com a presença da imprensa no velório.
Parentes de Larissa e dos pais não quiseram conversar com o BOM DIA. Todos estavam muito abalados com a tragédia e chegaram a ficar irritados com a presença da imprensa no velório.
Um tio de Larissa afirmou que José Carlos vai provar sua inocência, o
mesmo dito por uma amiga próxima dele. “Foi uma fatalidade. Quem
conhece o Zé sabe que ele não faria isso”, afirmou.
A mãe da vítima ficou o dia todo em estado de choque e não foi vista
no enterro. O pai, preso durante todo o dia, foi solto por volta das
20h, e não conseguiu acompanhar o enterro da filha. O casal tem outros
três filhos.
Polícia não descarta suicídio
O delegado de Cafelândia, Adilson Carlos Vincentini Batanero, afirmou ao BOM DIA que também está investigando a possibilidade de suicídio.
Ele destacou que o pai de Larissa afirmou em depoimento que um frasco de shampoo vazio foi encontrado no quarto da garota.
Além disso, lembrou que o exame necroscópico da vítima, feito no IML
(Instituto Médico Legal) de Bauru, não apontou lesões na cabeça, apesar
dos supostos chutes desferidos por José Carlos.
“Não posso descartar essa hipótese de suicídio. Pedi ao IML um exame para saber se ela tomou algo”, observa.
Adilson Batanero lembrou também alguns pontos do depoimento do
acusado. José Carlos negou que tenha chutado a cabeça da filha. Disse
que desferiu chutes nas nádegas de Larissa.
Além disso, José Carlos disse, segundo o delegado, que queria apenas
“corrigir” a filha dentro das “regras de sua igreja e do respeito à
família”, que é evangélica.
O delegado afirmou tratar-se de uma “fatalidade”, mas destacou que,
caso ele tenha realmente chutado a cabeça da filha, assumiu os riscos.
“O pior castigo para um pai é ver o filho morrer”, avalia.
“O pior castigo para um pai é ver o filho morrer”, avalia.
Após ser solto da cadeia de Promissão, José Carlos vai responder pelo
suposto crime em liberdade. Se condenado, pode ficar de quatro a 12
anos preso.
Procurado pelo BOM DIA, o IML afirmou que o exame para saber se
Larissa ingeriu ou não algum tipo de veneno que teria contribuído para
um suposto suicídio, ficará pronto até o fim da semana.
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