
Tenho uma sugestão para o comando da
Secretaria de Segurança Pública do Ceará. Uma proposta que merece
reflexão do governador Cid Gomes e do próprio personagem por mim,
humildemente, indicado. E não é uma indicação absurda, diria sui generis
e possível do ponto de vista da gestão. Justifico a provocação por ter
experimentado, como cidadão e jornalista, a atuação dos titulares da
pasta a partir do primeiro governo Tasso Jereissati, com Moroni Bing
Torgan, até os dias atuais, com Roberto Monteiro. De lá pra cá já se
vão
25 anos.Até aqui, o dia-a-dia no Ceará e os arquivos dos jornais
provam: as tentativas com delegados da Polícia Federal, generais do
Exército e delegados da Polícia Civil deram em quase nada ou em meros
ensaios de mudanças. Os que não foram trucidados pelo sistema policial
corporativo e corrupto acabaram coniventes ou omissos.Do general Cândido
Vargas, que quis engrossar o pescoço, ouvimos o suspiro aliviado no dia
em que pegou um avião e deu graças a Deus não ter mais de lidar com as
futricas e disputas pelo poder na Polícia Civil do Ceará. Instituição
classificada como o pior gargalo para a condução da Segurança Pública do
Estado. “Falida” em quase todos os aspectos. Palavras sinceras do
delegado federal Roberto Monteiro, que conta os dias para se libertar da
pasta. Então, que tal abrir outras possibilidades para a Segurança
Pública e o povo do Ceará? O tempo, já se passaram duas décadas e meia,
pede algo inovador além da fadigada tríade delegado da Federal / general
do Exército / delegado da Polícia Civil. Que tal ser mais ousado na
hora de enfrentar Golias?Andam especulando que Ivo Gomes iria para a
secretaria da Saúde por ter um perfil de gestor que arruma e toca a
casa. A área da Saúde Pública, o próprio Cid Gomes reconhece, tem de dar
o salto que não deu no primeiro governo. Mas, a Segurança seria no
momento o melhor endereço para Ivo. E não é porque a Segurança é mais
prioridade que a Saúde. Não. Uma é tão problemática e carente quanto a
outra. Mas é mais fácil garimpar um gestor, no Ceará, para a Sesa do que
para a SSPDS. Não sou apocalíptico, mas aqui não há outro nome para
assumir as rédeas da Segurança Pública. Um personagem desentranhado das
corporações e disposto a dar um choque de gestão na pasta.Ivo Gomes é
apresentado até agora pelos irmãos Ferreira Gomes, e por alguns
adversários, como gestor sistemático, orgânico. Que deu rumos à Educação
em Sobral e soube bem atuar e articular numa anti-sala do Palácio
Iracema. Além de não se furtar de entrar em algumas polêmicas com
iguais. Alguns debocharão: e Ivo entende o que de polícia? Pois é, mas
se isso fosse preponderante três generais oliva (Cândido Vargas, João
Crisóstomo, Theo Basto), três delegados civis (Inimá Freire, Quintino
Farias, Francisco Crisóstomo) e quatro delegados federais (Moroni
Torgan, Renato Torrano, Wilson Nascimento e Roberto Monteiro) teriam
dado um jeito ou melhorado a sensação de segurança pública do Ceará. Ou,
talvez, minimamente colocado nos eixos as polícias. O entrave é falta
de gestão profissional e o alinhamento com o que está defasado há pelo
menos 25 anos. Desde que o governo das Mudanças inaugurou a era
pós-ditadura militar. Se Ivo Gomes não entende de polícia, que se alie a
especialistas que o auxiliarão em questões de inteligência e
estratégia. Gente de confiança, ficha limpa e comprometida com a paz
coletiva. Não há o que Ivo Gomes temer à frente da Segurança Pública do
Ceará. Medo do que? Do novo contra o arcaico que não permite mudanças?
Desde que Cid Gomes respalde, de fato, as decisões do secretário e
queira de verdade quebrar o ciclo viciado das polícias, aliado a ajuste
social e dignidade para policiais, Ivo poderá inaugurar um novo
paradigma na segurança pública do Ceará. Seja mais ousado, governador.
Demitri Túlio
demitritulio@opovo.com.br