Nova cara da polícia, mas com velhos problemas
Promessa de campanha e um dos principais programas
do primeiro Governo de Cid Gomes, o Ronda do Quarteirão não foi
suficiente para aplacar os índices de violência do Ceará. Para
especialistas, política de Segurança Pública não pode se restrigir ao
Ronda
Até a farda foi pensada diferente. A opção do
governador Cid Gomes (PSB) por criar uma nova forma de fazer polícia,
com a implantação do Ronda do Quarteirão, foi bem-vista em todos os
setores da
sociedade cearense, que o elegeram em 2006 com essa promessa.
Mas o sucesso acabou respingado por sangue e agora o novo Governo Cid é
cobrado para efetivar uma política mais eficaz e aprofundada para o
setor. Cid chegou a comemorar junto da população aquela nova “sensação de segurança”. Mas os índices de violência, que só aumentam, e erros grosseiros dos novos policiais do Ronda, causados muitas vezes por deficiências no treinamento, levaram por água abaixo a avaliação desse que é um dos principais programas do atual Governo.
O delegado e ex-corregedor dos órgãos de Segurança do Estado, Ronaldo Bastos, foi duro ao avaliar o desempenho da Segurança Pública na gestão Cid. “Não há uma política de segurança pública no Estado”.
Bastos considera que, a partir do momento que se tornou o carro-chefe da Segurança Pública, o programa passou a receber todas as atenções do Governo. E, com isso, outras medidas “essenciais” foram esquecidas. “Deveria-se requalificar o setor, trabalhar de maneira mais técnica, voltando-se para a inteligência policial”.
Para ele, contudo, o Ronda não deve ser descartado. “O Ronda é até um programa muito bem-vindo, na ideia de criação de uma polícia mais moderna, uma outra filosofia para resolver os aspectos da segurança com cidadania, mas começou a ter uma inconsistência no sentido de se aprofundar”.
Já o sociólogo Élcio Batista, pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), da Universidade Federal do Ceará (UFC), foi mais ameno nas críticas ao Ronda. Para ele, o programa não é a política de segurança do Governo, mas uma ação importante que faz parte do processo de reestruturação da polícia.
“Foi a grande meta do primeiro governo (Cid), estabelecer um policiamento com uma formação diferente que, aos poucos, pudesse abandonar sua característica militar na sua formação”, disse ele, ressaltando também o reforço tecnológico e de infraestrutura do programa.
Batista aponta, contudo, que a solução dos problemas da segurança não se restringem à polícia. “Existe um conceito mais amplo como a garantia de direitos sociais, que estão na Constituição. Para isso, são necessários fortes investimentos em educação, saúde, transporte público, lazer e moradia”, conclui.
Fonte O povo
"Nova cara da polícia, mas com velhos problemas"
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