Detento suspeito de ter contraido menigite em xadrez de Delegacia
A
morte do paciente Janderson Ferreira Bezerra, 19, no último dia 11, no
Hospital Distrital Nossa Senhora da Conceição, no Conjunto Ceará, está
sendo investigada pelas autoridades sanitárias sob suspeita de ter sido
causada por meningite. O paciente era um preso provisório que estava
recolhido ao xadrez do 12º DP (Conjunto Ceará), desde o último dia 5,
após ser autuado em flagrante por tráfico de drogas e posse ilegal de
arma de fogo.
Inicialmente, havia a suspeita de que Janderson
estava com dengue. Contudo, na tarde de ontem, médicos e técnicos da
Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Fortaleza estiveram na delegacia.
Máscaras
Como
medida preventiva orientada por médicos do hospital em que o preso
morreu, policiais e outros detentos que tiveram contato com o doente
estão tendo que usar máscaras e tomar o medicamento Rifampicina de 300
miligramas, indicado para tratamento de doenças infecto-contagiosas,
como meningite e tuberculose.
Um desses policiais é o delegado
titular do 12º DP, Lira Ximenes. Ele estava de plantão na noite em que o
preso apresentou os sintomas da doença e, posteriormente faleceu.
Conforme o delegado, os agentes de saúde iniciaram um procedimento
conhecido como ´bloqueio´, buscando pessoas que mantiveram contato com
Janderson, para que se, confirmadas as suspeitas de que ele estava com
meningite, todas sejam medicadas.
Lira contou que, na noite de
quarta-feira (10), Janderson, um dos 34 presos que estavam no xadrez
naquele dia, queixou-se de febre e dores no corpo.
"Providenciamos
o socorro e ele foi levado para o hospital. Algumas horas depois, teve
alta médica, conforme prontuários que recebemos, e retornou para a
delegacia. Em seguida, voltou a passar mal e foi novamente levado para o
hospital. Pela segunda vez, foi medicado e retornou. Rapidamente, teve a
terceira crise e foi de novo para o mesmo hospital, onde morreu".
O
delegado ressalta que, todos os procedimentos que estavam ao seu
alcance foram adotados, mas lembra que as condições do xadrez,
atualmente com 32 detentos, mas no dia com 34, não eram adequadas para
um preso doente permanecer.
"Enfrentamos um grave problema com
essa situação (superlotação). Os policiais não podem investigar pois têm
que custodiar presos e também levá-los para audiências", desabafou.
A
presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Ceará (Sinpoce), Inês
Romero, afirmou que já entrou em contato com o Ministério Público e a
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE), pedindo que sérias providências
seja tomadas.
EMERSON RODRIGUES
"Detento suspeito de ter contraido menigite em xadrez de Delegacia"
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