Chapéus de Palha movimentam a economia da Região Norte
No galpão da fábrica os artesãos realizam o acabamento final, dando formato e cores ao mais variados modelos de chapéus – Fotos: Rayanne Colares
O chapéu de palha é uma das peculiaridades mais inerentes ao povo nordestino. Dentre muitas funções, como adornar e proteger o couro cabeludo dos raios solares, ele também tem a finalidade de originar o sustento de várias famílias da Região Norte do Ceará, famílias estas que ganham a vida tecendo e entrançando as palhas da carnaúba para fabricar os tão belos ícones.
A arte de confeccionar chapéu de palha tem resistido ao tempo e ultrapassado gerações. A matéria prima, a palha da carnaúba, é abundante na região fazendo com que os modelos sejam bastante diversificados e desejados, principalmente no Sul e Sudeste do País. Outro detalhe relevante é que vários municípios vizinhos a Sobral também produzem o acessório, conforme afirma a Gerente de uma fábrica localizada em Sobral, que atua há mais de 38 anos no ramo, Solange Menezes.
“Nós compramos a pequena produção dos artesãos das cidades próximas como Massapê, Coreaú e Groaíras, fazemos o acabamento e vendemos para todo o País. Aqui, nós vendemos cerca de 80 a 100 mil chapéus por mês e os Estados que mais compram são Goiás, São Paulo e Santa Catarina,” informou Solange Menezes.
Fator também importante trata da quantidade de emprego e renda que o artefato gera para a população e da cadeia produtiva que movimenta. “Só aqui nesta fábrica nós empregamos mais de 50 famílias diretamente. Se formos contabilizar a renda envolvida nesse ofício ela irá do apanhador (quem recolhe a palha) até o exportador, que compra nossa produção e vende para vários outros países. Deve ter muito mais de duas mil pessoas beneficiadas. São muitas alternativas de emprego, já que por meio dessa atividade nós geramos renda para inúmeras pessoas,” ressaltou a gerente.
A Fabricação
O processo de confecção do acessório envolve várias etapas começando na região sertaneja, onde os artesãos se reúnem para fazer as peças, que depois são vendidas para empresas, que dão o acabamento. Primeiro é feita a derrubada da palha da carnaúba, matéria prima do chapéu; depois, é feita a separação, o corte e a secagem da palha. Uma vez amarelada a palha, é realizada a ‘riscagem’ ou ‘desfiagem’ para, em seguida, ser feito o entrançado que vai dando formato aos chapéus. Feito isso, os chapéus são, em grande maioria, comprados pelas fábricas, que ficam responsáveis pelo acabamento final.
A Costureira e Artesã Maria Conceição de Freitas, 29, contou que seu sustento é garantido. “Eu trabalho com chapéu há mais de quatro anos e já comprei moto, eletrodomésticos só com o dinheiro que ganho dos chapéus. Gosto muito de trabalhar fazendo chapéu e gosto, também, de saber que tem gente no País inteiro usando um chapéu feito pelas minhas mãos,” ressaltou Maria de Freitas, que também contou que seus pais também eram ‘chapeleiros’, ou seja, artesãos de chapéus.
“Desde o tempo em que eu era menina que aprendi com meus pais a fazer. Naquela época sentávamos no alpendre e ficávamos conversando e fazendo chapéu, era muito bom,” recordou a artesã.
Os negócios
A produção de chapéu em Sobral se estende pelo ano inteiro e as fábricas estão com seus galpões lotados.
Os períodos em que os objetos são mais procurados são durante as festas juninas, o verão e o carnaval fazendo, portanto, com que o chapéu sobralense tenha mercado garantido no Brasil o ano todo.
Rayanne Colares
jornal@sobralnews.com.br
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